Destaques CenaTXT POA: produções audiovisuais de dança

Aproxima-se o final de mais um ano e surgiu a proposta de fazer um balanço da produção audiovisual de dança em Porto Alegre nos últimos meses. A pandemia fez crescer a quantidade de produções que ficou até difícil acompanhar e até mesmo identificar produções que merecem ser vistas e revistas. Algumas consegui destacar por aqui, outras não. Por isso, o CenaTXT fez a lista de obras que vem acompanhando desde o início da pandemia e que gostaria destacar. Obras diferenciadas seja pela qualidade técnica, pela inventividade, pela importância das temáticas e posicionamentos que articulam, mas também pela capacidade de traduzir esse período com sensibilidade, senso crítico, político, ético e afetivo. Vale reservar um tempinho e conferir!

1 Bailados periféricos é um contundente e comovente registro feito pelo coletivo de dança do Projeto Expressar que atua com a crianças e jovens na Vila Cruzeiro. Depoimentos e imagens traduzem a realidade de um qualificado trabalho de arte/educação que transforma seus alunos e alunas por meio da dança e traz novos referenciais de dança para comunidade de uma região de alta vulnerabilidade. https://www.youtube.com/watch?v=XvPOM_DnAPk&ab_channel=CentrodeDan%C3%A7aSMC-PrefeituradePortoAlegre

2. Epiceno é um verdadeiro tratado sobre a arena em que os corpos estão jogados na sociedade contemporânea. E faz isso sem maiores discursos e teorização. É certeiro ao acionar a potência estética da diversidade de corpos que se colocam em cena e nos arranjos e configurações possíveis. Belo e arrebatador. Performers: Bruno Fernandes, Consuelo Vallandro, Gabi Faryas, Guilherme Gonçalves, João Om, Jordan Maia, Marcelo Reis e Rita Spier. Produção e Direção: Carol Martins. Preparação de elenco em Poéticas Corporais com Carlota Albuquerque. Diretor de Fotografia: Voltaire Barbieri https://vimeo.com/599658707

3. Nosso lugar é uma produção que coloca em foco jovens negros da periferia que fundaram a Flashblack Companhia de Dança. O vídeo mergulha nos desafios e conquistas desses jovens para se firmarem como bailarinos e bailarinas. A obra foi vencedora do Prêmio Açorianos de Dança na categoria videodança e teve produção da MOOv.Art. Como eles colocam: “Nossa ancestralidade pulsa em nosso corpo e se transforma em movimentos. Nossa juventude nos apresenta muitas dúvidas. Passamos por preconceitos e várias barreiras, que muitas vezes nos trazem inseguranças. Porém, seguimos com alegria, esperança e determinação em busca de nossos sonhos.” Direção de Vanessa e Syl Rodrigues. No elenco: Jean Ferreira, Iago Poersch, Jéssica Paim, Luiza Karoline Felizardo Rodrigues Araújo, Marielly Cruz e Rayner Victor Moreira https://www.youtube.com/watch?v=zVqOJnDm2R8&ab_channel=MOOVart

4. Entre é um vídeo destinado ao público infantil, ou melhor, para todo espectador que ainda se permite criança e foi um deleite assisti-lo em tempos tão difíceis. Lúdico e dinâmico, ele brinca com os corpos em cena, com seus tamanhos, com suas possíveis relações que o vídeo permite estabelecer e além disso, estabelece verdadeiros jogos visuais divertidíssimos, como quem faz o jogo da velha ou pula amarelinha. Como colocam os criadores é “uma proposta que visa brincar com as emergências do encontro: entre corpos, objetos, diferentes fazeres artísticos. O que é possível no entre? Uma experimentação em circo, dança e vídeo para crianças, que joga com fragmentos do próximo espetáculo infantil do projeto Pequenices.” Concepção: Fernanda Bertoncello Boff Criação e interpretação: Fernanda Bertoncello Boff e Gabriel Martins Direção: Vini Fontoura e Voltaire Barbiere. https://www.facebook.com/watch/?v=714883665821488

5. Cartas dançantes de amor e cuidado Criada pela também intérprete Maria Albers é uma delicada e acolhedora obra que foi uma das vencedoras do edital #Noverre: novas mensagens sobre a dança, parceria entre o Goethe-Institut Porto Alegre com o Centro Municipal de Dança. Como destaca sua criadora “Uma Carta Dançante consiste num objeto mágico, criação coreografica videodançada que visa recriar pontes e caminhos neurais por uma perspectiva de saúde, proximidade e afeto em tempos de isolamento social, extrapolando sentidos e endereçamentos e se desdobrando a partir de cada pessoa que venha a ser leitora/espectadora das cartas.”

6. Mujeres de Água tem direção geral, artística, concepção, figurino, coreografia e produção La negra Ana Medeiros. Projeto inovador que tem o Flamenco como linguagem e que coloca a relação entre a água e o universo feminino como elementos para as cenas de grande força e encantamento. Uma atmosfera que se estabelece especialmente pelas performances das bailaoras Emily Borghetti, Patrícia Correa, Thaís Virgínia, Ana Cândida de la Campana, Luciana Meira e La Negra Ana Medeiros. Trilha sonora Jef lima e Isadora Arruda. https://www.youtube.com/watch?v=MS0G3zya8EY&ab_channel=LaNegraAnaMedeiros


7. Em RINHA , a bailarina e coreógrafa Janaína Ferrari assume a cena com um corpo orgânico e fluído que joga com as sombras e enquadramentos que mais sugerem do que revelam. É uma obra de uma intérprete que domina o movimento com sensibilidade e inteligência, construindo uma inebriante dramaturgia que transita entre o o poético e o perturbador, entre o delicado e o bizarro. O vídeo tem direção e edição de Roberta Fofonka e trilha sonora bacanérrima de Pedro Cassel. RINHA, como anunciam suas criadoras, se propõe a “descobrir de onde a força motora vem. Numa tentativa de identificar os trajetos de impulsos motores, abrir caminhos no corpo para que o fluxo aconteça. Reciclando a energia de um movimento para outro, uma outra mecânica se estabelece.”https://www.youtube.com/watch?v=O

8. Maratona Kamikaze 24hrs, de Renata de Lélis, talvez seja umas das obras que conseguiu traduzir com irreverência e um humor ácido a condição de confinamento e o desesperado desejo de manter possibilidade de encontros festivos frente às câmeras. Parece evocar o filme A noite dos desesperados (Sydney Pollack/1969) no qual os participantes dançam até o esgotamento total em maratonas que aconteciam durante a grande depressão dos EUA. A maratona conta com inúmeros artistas convidados que vão simultaneamente inventando inusitadas performances privadas de exibição, quase num carnaval cibernético tropicalista. https://www.youtube.com/watch?v=AqRP67r_iso&ab_channel=CentrodeDan%C3%A7aSMC-PrefeituradePortoAlegre

9. Caminhantes Na verdade não é um vídeo, mas uma série de 7 pequenas produções que trazem importantes e destacados intérpretes da capital. Com direção do coreógrafo Ivan Motta, a série ‘Caminhantes’ comemora os 25 anos da Cia H e conta com Driko Oliveira, da Sustain Produções, na captação e edição de imagens, e com produção de Luka Ibarra, da Lucida Desenvolvimento Cultural. O elenco tem Andressa Pereira, Bruno Manganelli, Caleo Alencar, Didi Pedone, Driko Oliveira, Letícia Paranhos e Rossana Scorza. https://www.youtube.com/watch?v=j25F4MkkpZg&ab_channel=CompanhiaHDan%C3%A7a25anos

10. Em In/Cômodos KdDuChAmP? é a terceira e última videodança da série produzido pelo CUBO1 CIa de Arte. Nele os bailarinos relacionam-se com objetos da vida cotidiana e caseira, deslocando a atenção para potências contidas em suas materialidades, referenciando como no título, o artista ‘pai da arte conceitual’ Marcel Duchamp (1887-1968). São cenas prosaicas que vão se revestidndo de uma poética visual de corpos acuados, mas capazes de se reinventar. Proposição é dos criadores intérpretes Daniel Aires, Fellipe Resende, Richard Araujo Salles, Verônica Prokopp. Edição: Fellipe Resende. https://www.facebook.com/cubo1ciadearte/videos/343151300469455

11. QU4RT é uma caprichada produção visual e coreográfica de “Qu4tro” bailarinos durante a “qu4rentena”, impossibilitados de se tocar. As cenas traduzem a busca pelo contato, o medo da proximidade, à procura por novas formas de se relacionar. Os intérpretes gravaram o vídeo individualmente e a edição os une e sintoniza em arranjos tocantes e comoventes. QU4RT tem direção, edição e fotografia: Fernando Muniz intérpretes-criadores: Andressa Pereira, Caleo Alencar, Kleo Di Santys e Pamela Agostini. https://www.youtube.com/watch?v=SGSkt8rfNGk&ab_channel=MOOVart

12. Esgotamento esgotado esgoto foi contemplado no Prêmio FUNARTE RespirARTE. O vídeo tem concepção e direção de Maria Waleska Van Helden. Nele a atriz, intérprete e criadora Ana Guasque faz um delicado e contundente exercício ao som de Chopin, conseguindo catalizar o que representou todo o esforço para seguir e não se desistir durante a pandemia. Edição: Rodrigo Kão https://www.youtube.com/watch?v=hd3GdQDwtOY&ab_channel=gedaciadedan%C3%A7aGeda

13. Vazio vira avesso. O vídeo traz como foco a equipe artística do Balé UFRGS refletindo as angústias e agonias compartilhadas no contexto pandêmico. Concepção: Gabriela Maia, Giulia Milanez, Lisete Arnizaut, Paula Molina, Pedro Herencio e Rui Moreira. Edição: Fredericco Restori. https://www.youtube.com/watch?v=IHj9PMxJ4L4&ab_channel=BalletdaUFRGS

14. 19 no 20 é uma criação do coreógrafo Gustavo Silva para o projeto da Incubadora de Dança Restinga O trabalho mergulha no que a propagação do corona vírus em 2019 projetou na realidade de 2020. Dessa forma, as coreografias foram criadas para traduzir os corpos em situação de confinamento, encaixotados no seu espaço privado. Um cotidiano guiado pela mudança nas cores que as bandeiras sinalizam. Mas, acima de tudo, a força vital que ganha impulso para seguir imaginando futuros possíveis a partir dos acontecimentos que afetam cada bailarino e bailarina na periferia da grande cidade. Como traduzem o texto e imagens iniciais, indivíduos que apostam “num mundo a favor do mundo”. Bailarinos: Alexia Palma da Motta Cesar Daniel Pereira de Oliveira Kamila Roncoli Lima Karen Domingues Rodrigues Mariana Morais Carlotto Rego Nicolas da Rosa Carvalho Yanka Da Rosa Carvalho Yasmyn Figueiredo Santos. Produção de vídeo de Fernando Muniz. https://www.youtube.com/watch?v=uo4rwcJmn2U&t=32s&ab_channel=CentrodeDan%C3%A7aSMC-PrefeituradePortoAlegre

15. Ainda Assim Fazer Acontecer – o segundo vídeo da Incubadora de Dança da Restinga concebido pelo coreógrafo Bboy Julinho RC. As locações foram todas feitas no bairro Restinga participação de Alexia Palma da Motta, Cesar Daniel Pereira de Oliveira, João José Lopes de Araújo, Mariana Morais Carlotto Rego, Nikolas Andriws da Silveira, Thainá Camargo de Aguia,r Yanka da Rosa Carvalho eYasmyn Figueiredo Santoshttps://www.youtube.com/watch?v=i4hz5kihoSc&ab_channel=CentrodeDan%C3%A7aSMC-PrefeituradePortoAlegre

16. Cartas para Mar é uma vídeo arte em dança que fala sobre ancestralidade, afetos, relacionamentos e vida criado pela intérprete Louise Lucena. Dividida em 3 partes, cada uma representa um recorte específico que compõe um quebra cabeça com as demais. Inspirada e embebida pela cosmologia africana, esse trabalho busca proporcionar uma experiência através dos sentidos, mirando a oralidade enquanto fundamento e veículo de transmissão, manutenção e co-criação de conhecimento. Obra selecionada no concurso #Noverre: novas mensagens sobre a dança (Instituto Goethe de Porto Alegre e Centro Municipal de Dança), construída a partir da releitura das “Cartas sobre a Dança” do francês Jean Georges Noverre. https://youtu.be/qimc7dVNjQ4

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s