A poesia da floresta no corpo e no nosso imaginário

A devastação do meio ambiente no nosso planeta é uma pauta que comove ou pelo menos deveria comover. E tratar dela, especialmente quando o objetivo é levar o tema ao palco e para a o público infantil não é uma tarefa fácil nem simples. Amazônia, um olhar sobre a floresta por isso se coloca como uma obra inteligente e sensível, pois constrói um envolvente universo imaginário, cria uma narrativa poética centrada na corporeidade dos intérpretes e nos envolve numa sutil narrativa visual e sonora. É uma obra que encanta os pequenos e a gente que adentra mata adentro da nossa infância com seus fascínios, encantos e ameaças.

A direção de Camila Bauer traz mais uma vez sua estética que consegue estabelecer uma beleza criada na economia de elementos e gestos. Tudo é pouco e suficiente para despertar nossos sentidos e dessa forma minimalista abre um espaço de respiro para nossa experiência transitar como se estivesse lá, explorando essa imensa e deslumbrante floresta que se revela na grandiosidade, mas também nos detalhes quase despercebidos.

Fabiane Severo, Guilherme Ferrêra e Henrique Gonçalves revelam um refinado trabalho corporal que tem direção de movimento de Carlota Albuquerque. Há um corpo que mimetiza os animais, mas também os revestem de sonoridade, ganhando também voz por vezes ruidosas, por vezes suaves na quase quietude. Eles se movem em um ambiente cenográfico que permite o jogo das cenas, manipulam objetos, vestem caracterizações de bichos daquele ecossistema, manipulam bonecos e objetos infláveis. Completa essa aventura, a iluminação caprichada e a trilha inspiradora que nos traz os sons da floresta e também nos presenteia com uma pungente canção na voz de Simone Rasslan.

A montagem é uma brincadeira que faz surgir animais por entre, por detrás, por cima dos troncos, que promove encontros e desaparecimentos, que assustam e causam empatia como o requebrante tamanduá ou as onças filhotes, que nos fazem rir e entristecer com a fatalidade das queimadas e ameaças do homem a tudo isso. No final, nenhuma palavra foi dita e a gente sai cheio de histórias e entendimentos, meio árvore, meio bicho preguiça, meio folha, meio jacaré. A gente saí irmanados com a floresta e com a arte que nos permite essa aventura do sensível.

FICHA TÉCNICA: 

Encenação: Camila Bauer; Direção de Movimento: Carlota Albuquerque; Elenco: Fabiane SeveroGuilherme Ferrêra e Henrique Gonçalves; Composição e Cena Sonora: Álvaro RosaCosta; Preparação Musical, voz e piano: Simone Rasslan; Iluminação: Ricardo Vivian; Cenografia e objetos: Élcio Rossini; Criação de onças: Rossana Della Costa; Identidade Visual: Luiza Hickmann; Assessoria de Imprensa: Léo Sant´Anna; Redes Sociais: Pedro Bertoldi; Fotos: Adriana Marchiori; Gravação em Vídeo: Guilherme Ferrêra e Rodrigo Waschburger; Músicas: Oratório (Álvaro RosaCosta e Ronald Augusto) – Nheengatu (Álvaro RosaCostaLeandro Maia e Simone Rasslan); Apoio: Cia. de Dança TerpsiDestro – Manejo e Comércio de ÁrvoresEkobio – Consultoria Ambiental e SESC-RS; Financiamento: SEDAC RS – Pró-Cultura RS FAC – Fundo de Apoio à Cultura; Produção: Guilherme Ferreira e Letícia Vieira – Primeira Fila Produções; Produção e Realização: Projeto Gompa

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