
Já foi o tempo em que se acreditava que existia uma idade mínima para se começar a apreciar a arte. Felizmente vem crescendo as iniciativas artísticas direcionadas não apenas aos bebês e às gestantes, inclusive. E quem não for capaz de perceber os inúmeros benefícios dessa experiência da ordem cognitiva e emocional pode procurar um variado número de publicações e pesquisas que atestam essa realidade. Por isso assistir a Cuco – a linguagem dos bebês no teatro é uma sensível edivertida vivência para literalmente os bebês (e toda família) se emocionarem, rirem, deitarem e rolarem.
A montagem tem uma produção caprichada e cuidadosa em todos os detalhes, o que é uma tradição nas montagens de Mário de Ballentti e a Caixa do Elefante. E tudo começa já em uma sala de espera cheia de recursos brincantes para preparar o clima. Quando chegamos na sala de apresentação, o clima já está preparado. Estamos dentro de uma grande sala de brinquedos. São muitos os recursos para encantar o pequeno público. Ao redor de uma arena acolchoada vão surgindo cobertas coloridas, tecidos esvoaçantes, túneis que esticam e encolhem, bolas de múltiplas cores e tamanhos.
Isso já seria suficiente para deixar a bagunça começar. Mas o melhor é quando ela vem comandada por dois empáticos intérpretes Gabriel Martins e Eduardo D’Ávila. Eles incorporam e estimulam o jogo de descoberta de um mundo aberto à exploração e à imaginação. E tudo no embalo coreográfico de gestos e movimentos conduzidos pela inspirada trilha sonora.
Mas um espetáculo à parte é acompanhar a reação de cada espectador. O fascínio pelas bolas que voam no ar do menino no colo da mãe. A impaciência da menina para adentrar a cena e brincar junto com os atores bailarinos. Aquele q transforma a timidez em curiosidade ativa. O bebê de colo que acompanhava cada movimento e foi o primeiro a engatinhar para o centro do palco. E sim, tinham os pais as mães e os acompanhantes que junto entravam nessa saborosa brincadeira.
Eu, particularmente, fui levado a memórias e uma infância com meu avô. Ele nos colocava enrolados num cobertor que arrastava pela casa. Ele girava e fazia percursos inesperados. Ao final tínhamos que dizer em qual dos cômodos estávamos, se em um dos quartos, na sala ou na cozinha. Quase sempre ele conseguia nos enganar e errávamos. E a avó caía na gargalhada.
O teatro para tão pequenos revela a potência e a capacidade capacidade de vivência coletiva da arte. Bebês que não se conheciam passam a brincar juntos e a convidar outros pais e mães numa inesperada coreografia cheia de encontros e descobertas. O espetáculo convida e abraça a todos, até nossas memórias que estão ali, esperando para entrar em cena.
Até 09 de Julho, Sáb e Dom às 15h e 17h, Casa de Cultura Mário Quintana / (Sala Cecy Frank)
Ficha Técnica:
Roteiro e direção: Mário de Ballentti
Pesquisa e concepção pedagógica: Paulo Fochi
Elenco: Eduardo d’Avila e Gabriel Martins
Cenografia, Figurinos e objetos cênicos: Margarida Rache
Assistência Coreográfica: Fernanda Bertoncello Boff
Iluminação: Nara Maia
Fotos de divulgação: Tom Peres
Composição de Trilha sonora, arranjos, execução e programação de instrumentos: Marcelo Delacroix e Beto Chedid
Vocais: Simone Rasslan
Piano: Fernando Spillari
Violão e bandolim: Veco Marques
Violoncello: Rodrigo Alquati
Gravado nos estúdios da Central de Trilhas
Gravações adicionais nos estúdios Marquise 51 e Tec Audio.
Criação gráfica: Clo Barcelos
Desenhos: Mário de Ballentti
Consultoria de Gestão e Produção: Maria Aparecida Herok
Assessoria e tradução para sessão em LIBRAS: Lucas Bourscheid
Bilheteria: Entreato – Tom Peres
Assessoria Jurídica: Rafael Simon Bastos
Assessoria Contábil: Maurício Guedes
Produção e Realização: Caixa do Elefante Centro Cultural de Projetos e Pesquisas