A cena esvaziou e em alguns instantes inflacionou com repertórios on-line, lives, performances, leituras dramáticas, web eventos de toda ordem numa profusão desenfreada, que começou tímida e de repente ficou quase impossível de acompanhar. E nesse processo, confesso que muita pouca coisa me interessou de verdade, me mobilizou com alguma intensidade, me tocou efetivamente, com … Continue lendo A cena começa a gostar do jogo midiático (e a entendê-lo)
Airton Tomazzoni
Artes da cena nas telinhas, um novo ethos midiatizado
Lives, vídeo-teatro, espetáculos on line, festivais de dança na web e outros tantos formatos e nomes surgiram. Cenas, corpos, movimentos, danças, performances, dramaturgias, imagens, desejos, vontades, necessidades. Com a epidemia do COVID-19 e as políticas de isolamento, a cena midiatizada se impôs de vez como alternativa imperativa e trouxe uma avalanche de possibilidades ainda que … Continue lendo Artes da cena nas telinhas, um novo ethos midiatizado
Letícia Sabatella ou como amanhecer terno e estremecido, em frente a tv, numa tarde de domingo
Na tarde de ontem o domingo na tv aberta seguia na sua mesmice até que no programa Pop Star de Tv Globo entra a atriz Letícia Sabatella. E é anunciado que cantaria A Rã, de Caetano Veloso e João Donato. Já teria aí uma saborosa perturbação ao marasma da programação. E eis que a performance … Continue lendo Letícia Sabatella ou como amanhecer terno e estremecido, em frente a tv, numa tarde de domingo
A dor e a delícia de um corpo que dança e consome (e se consome)
Poder acompanhar o começo de um criador de dança é sempre um momento especial e cheio de expectativa. E no caso de Reutilizáveis Corpos Descartáveis um começo cheio de boas expectativas que se confirmam. A primeira porque Maurício Miranda assina não só a coreografia como a direção artística de uma Cia com quase 40 anos … Continue lendo A dor e a delícia de um corpo que dança e consome (e se consome)
permanecer é necessário e decisivo
Dezembro de 2018. O ano encerrava-se politicamente e esperançosamente melancólico para quem conseguia perceber tudo que estava ameaçado quando se celebra sem pudor a ditadura, a censura, o desrespeito à diversidade, à cultura, à racionalidade. Foi assim que fui assistir a Ranhuras na Sala Álvaro Moreyra. E lá, estava um grupo de jovens artistas, ex … Continue lendo permanecer é necessário e decisivo
Minha vida é um conto de falhas
#frame1 Sábado chuvoso em Porto Alegre. Sujeito atravessa poças da avenida José Bonifácio por entre resquícios de comemorações e protestos ao Independence Day e dobra na Travessa da Paz. #frame 2 O local, Galeria La Photo está cheio de espectadores. Muito cheio. Um crítico teatral renomado sorri. #frame 3 A chuva aumenta muito de intensidade. … Continue lendo Minha vida é um conto de falhas
O mundo de Marlboro
Em tempos pós-modernos, nos quais falar de uma masculinidade, no singular, parece descabido, algumas marcas dessa tal masculinidade ainda ecoam insistentemente. Esse é o tema que o espetáculo Lonesome cowboy traz com sua dança. Em uma coreografia enxuta, cenografia eficientíssima e iluminação competente e precisa, esboçam-se belas imagens e metáforas. Cinco bailarinos se confrontam em uma arena, … Continue lendo O mundo de Marlboro
O Cisne no divã
Publicado no Jornal Zero Hora/ Segundo Caderno, 09 de setembro de 2001. Revisitar os clássicos é uma tarefa tanto sedutora quanto perigosa. Tarefa que não intimidou o coreógrafo sueco Mats Ek que já se aventurou em releituras para clássicos como Gisele e O Lago dos Cisnes, este apresentado em Porto Alegre, no último sábado. Uma … Continue lendo O Cisne no divã
Nada se compara
Ter uma experiência não é apenas viver um instante, mas ser transformado por um momento. Seja pela emoção que causa, pelas sensações que desperta, pelas ideias que mobiliza. O espetáculo Out of context – for Pina, do belga Alain Platel, nos presenteia com essa potente possibilidade. Nos tira do contexto naturalizado, do olhar viciado e … Continue lendo Nada se compara
A dança da luz e da escuridão
Cuidado! Tobari, espetáculo apresentado pelo grupo Sankai Juku, na quinta-feira no Teatro do Sesi, pode dar sono e me deu. E já me explico. Não falo aqui de um estado que nos dá tédio ou cansaço, mas sim de um estado de quem se permite ir se entregando à escuridão e, possivelmente, ao sonhar. Pois … Continue lendo A dança da luz e da escuridão