Minha dança é tudo que ela quer e pode ser

“Pra dançar tem que começar cedo.”

“Não tenho ritmo.”

“É a dança que te escolhe e nem tu que escolhe a dança.”

Poderia listar outras tantas frases que circulam quando o tema é dança, infelizmente assim como o entendimento de que dança é exclusivamente uma sucessão de passos organizados numa música. Por isso, ter uma obra que assume uma outra perspectiva de poder pensar e vivenciar a dança é de grande valor nesse momento. “Minha dança não é só passos”, de Mara Nunes se coloca portanto como uma inspiradora e provocadora leitura, que se vale da sua trajetória de 15 anos dedicados à dança para trazer de maneira sensível e acessível essas questões que orbitam nos discursos sobre essa arte e atrapalham até a aproximação de muita gente que poderia estar dela desfrutando.

Estamos diante de um patrimônio de uma mulher, negra, mãe, que se permitiu começar a dançar aos 45 anos. Estamos diante de quem se permitiu construir aluna, professora, artista, criadora. Estamos diante de quem se permitiu a dança do ventre, a salsa, o samba, o Grupo Experimental de Dança, (GED), as danças contemporâneas, a educação somática e outras tantas porque que viu aí a oportunidade de autoconhecimento, mas que logo se descentrou de si  mesma e percebeu que a dança era uma forma de conhecer também os outros e o mundo que nos cerca. E por isso tão valiosos os percursos de quem enfrentou os preconceitos, obstáculos e rótulos nessa jornada. 

Um dos acertos é o de optar por uma escrita fluida e acessível que se reveste de um tom de uma boa conversa. Enquanto lemos vamos nos tornando um pouco íntimos e quase cúmplices de suas considerações. Se para se dançar tem que começar cedo, Mara nos lembra, como mãe que é, que todos começamos esse baile ainda no ventre materno, por mais que como dança isso não se reconheça na maioria das vezes.

Mara vai a cada capítulo vai generosamente nos conduzindo, como na dança de salão por onde começou e segue transitando. Ela nos fala sobre os perigos de determinar o certo e o errado, ao invés de perceber que o que temos são multiplicidade de possibilidades e a oportunidade de seguir em busca da que melhor nos cabe. Ela nos fala de respeitar os processos e etapas de cada um e cada uma. 

E não à toa o seu espaço de trabalho hoje leva seu nome e é identificado como Centro Terapêutico de Dança (Av. Getúlio Vargas 108 – Menino Deus) porque entende que dançar é um espaço para a vida pulsar de maneira plena e com liberdade para dar os passos que a gente quiser, inclusive esquecendo os passos para apenas curtir esse mover-se pela existência.

O lançamento é nesse sábado dia 22 de julho a partir das 16h, no Bistrô Catedral 1187, na Duque de Caxias, 1187 – Centro Histórico.

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