What about jazz?

Se a dança tivesse o mesmo status da literatura nos circuitos culturais, o coreógrafo Bob Fosse seria reconhecido como um Edgar Alan Poe ou um William Falkner, com direito a Prêmio Nobel. O cara foi um dos mais geniais. E por isso Whats about jazz?, do Sou Centro de Artes de Porto Alegre é um destaque na produção local do ano, primeiro por resgatar a obra desse valioso artista e segundo por fazer essa difícil empreitada com qualidade e rigor.

What About Jazz foi apresentado virtualmente em uma caprichada produção audiovisual de números musicais de canto e dança trazendo para cena o legado do premiado diretor, coreógrafo e dançarino estadunidense Bob Fosse numa produção das coreógrafas gaúchas Clara Litvin e Isadora Bonumá, com arranjos de Marta Monaretto, e direção cênica de Danielle Salmoria. O elenco da montagem contou com 32 artistas e 16 números musicais de importantes musicais como Cabaret, Liza with a Z, Chicago, Sweet Charity, Pippin, Dancing’, The Pajama Game e Fosse.

Algumas cenas foram bastante fiéis às coreografias originais como em Cabaret. Já em Big Spender, de Sweet Charity, ao invés de uma barra na qual as bailarinas se debruçam sedutoramente, foi criado um painel de rapazes nos quais ela se apoiam e deleitam. A recriação de Sing Sing Sing ganhou um arranjo que permitiu entender como aproveitar o potencial do elenco e manter o fascínio dessa envolvente e arrebatedora coreografia. Enfim, o universo de Fosse se mantém e é construído com criatividade sem perder seu estilo e marca estética.

Há de destacar ainda o cuidado no acabamento musical com arranjos e interpretações de canções emblemáticas. Da mesma forma a produção audiovisual consegue criar uma ritmo para o espetáculo com enquadramentos e edição que permitem o deleite das coreografias, com uma concepção de desenho de luz acertado que permite estabelecer as diferentes atmosferas e permitir que a cena de palco também funcionasse com o mesmo charme no vídeo.

O Sou Centro de Artes faz uma escolha acertada e muito necessária, de tornar o repertório de Fosse mais divulgado e reconhecido do público de Porto Alegre. Há muitas gerações que pouco ou nada possuem de referência desse grandioso artista da dança. Mesmo em escolas que ensinam e cultuam o jazz, poucas vezes surgem aulas e montagens dele. O outro mérito é de começar a lidar com a linguagem que ele criou, pois não se tem tradição na capital gaúcha e não é num piscar de olhos que um corpo que dança “entende” e deixa essa linguagem acontecer coreograficamente. É preciso não só trazer Fosse de volta, mas insistir em mantê-lo aqui entre nós. Por isso, tão importante e significativa uma equipe que vem se qualificando e partilhando esse patrimônio da dança. Que sigam muitas aulas e venham muitas montagens, a gente agradece!

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